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Ser mulher e engenheira química em Portugal

Este Domingo celebramos o Dia da Mulher. Para assinalar o dia, entrevistámos a Engª Marta Gomes, engenheira química e co-fundadora da WASE.  

Licenciada em Engenharia Química, ramo de biotecnologia pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, Marta Gomes é membro efetivo da Ordem dos Engenheiros. 

Adquiriu ao longo da sua carreira profissional uma vasta experiência em materiais para redes de água potável e águas residuais, assim como em sistemas de abastecimento e distribuição de água. Tem ainda a reconhecida certificação City and Guilds para avaliação de risco de Legionella, que segue as boas práticas do Reino Unido.

 

Quando decidiu que queria seguir engenharia química (ramo de biotecnologia)? 

Eu sempre quis algo ligado à matemática e ciências, mas na altura de escolher o curso superior não sabia bem para onde ir. Sempre gostei de ensinar e de matemática, tanto que fui explicadora. O meu pai, na altura, aconselhou-me a seguir engenharia pois dar-me-ia melhores perspectivas profissionais. Foi aí que coloquei engenharia química no Instituto Superior Técnico como 1ª opção e segui o ramo de biotecnologia no 3º ano do curso. E o resto, é história…! 

 

Na sua opinião, existem mais homens nesta indústria? 

Sinceramente, não me parece, pelo menos nesta área da engenharia bioquímica. Se me perguntarem se existem mais homens nas engenharias de forma geral, sim, sem dúvida que sim! Basta pensar que no meu tempo de estudante, há 20 anos, só existiam raparigas no curso de química. Hoje em dia parece-me mais equilibrado, mas no início dos anos 90, esse era o único curso de engenharia que fugia da norma. 

O que acha que poderia ser feito para incentivar mais mulheres a seguir engenharia ou outras áreas da ciência? 

Infelizmente, encontrei ao longo da minha carreira profissional, algum machismo, preconceito e desigualdade de oportunidades. Uma amiga próxima, após ter mencionado na empresa onde trabalhava que desejaria progredir na sua carreira, foi-lhe dito pelo seu diretor que “agora que foi mãe recentemente, não me parece viável propô-la para uma função no estrangeiro. Os seus filhos são pequenos por isso mais vale ficar por cá, é um favor que lhe faço.” Ir para o estrangeiro seria o próximo passo na sua carreira, significando assim, que não iria progredir nem em Portugal, nem em mais nenhum país daquela multinacional. 

Nessa altura, também eu mãe recente, pensei em ser empreendedora e arrancar com o meu próprio negócio, pois também não se avizinhava qualquer progressão na minha carreira. Creio que o maior incentivo para captar o público feminino para estas áreas, será através de atitudes e medidas que contrariem a norma e que se destaquem pela positiva. Algumas dizem ser inclusivas e não discriminatórias, no entanto é apenas para ficarem bem na fotografia. Penso que há um longo caminho a percorrer até se alterarem as mentalidades de gestores e a cultura de empresas. 

Na WASE, a nossa premissa é respeitar todos os colegas e dar-lhes as mesmas oportunidades independentemente do género, religião ou etnicidade. 

 

Se tivesse de nomear 4 engenheiras / cientistas de referência que a inspiram, quem escolheria e porquê? 

  • Debbie Sterling. Incentivou e incentiva raparigas a seguirem engenharia. Depois de se formar na Stanford University com um diploma em engenharia mecânica e design de produtos – que é uma carreira dominada por homens – Debbie Sterling quis incentivar mais raparigas a seguir a engenharia e iniciou o seu projeto GoldieBlox: conjunto de livros, personagens, vídeos, aplicações, entre outros, que desafia estereótipos de género com a primeira personagem engenheira do mundo como protagonista.
  • Dra. Joana Martins e Dra. Martina Costa. Directoras num laboratório nosso parceiro, a Globalab, são o exemplo do empreendedorismo nesta área. Também elas mães, conseguiram implementar-se no mercado dos laboratórios com elevada competência técnica e seriedade. Um exemplo inspirador, sem dúvida!
  • Anna Whittaker. Parceira da WASE, Anna é mestranda em biologia molecular ambiental pela Universidade de Estocolmo e Diretora Regional Europa da Luminultra Technologies Ltd.  Tem sido uma grande inspiração trabalhar com ela no projeto LuminUltra; a sua experiência e conhecimentos em biologia molecular são únicos!